28 out. 2026

Evento da Assintecal destaca cenário desafiador em 2027

O evento Tendências & Contextos, realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) no dia 28 de outubro, revelou um cenário desafiador para a cadeia produtiva do calçado no próximo ano. O encontro aconteceu na sede da ACI, em Novo Hamburgo/RS, e foi conduzido pelos economistas Patrícia Palermo e Marcos Lélis, e pelo criativo do Núcleo de Pesquisa e Design da entidade, Marnei Carminatti.

admin
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O evento Tendências & Contextos, realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) no dia 28 de outubro, revelou um cenário desafiador para a cadeia produtiva do calçado no próximo ano. O encontro aconteceu na sede da ACI, em Novo Hamburgo/RS, e foi conduzido pelos economistas Patrícia Palermo e Marcos Lélis, e pelo criativo do Núcleo de Pesquisa e Design da entidade, Marnei Carminatti.

Com projeções macroeconômicas e um olhar sobre a economia brasileira, que será permeada de desafios aos longo de 2027, Patrícia falou sobre o impacto dos conflitos internacionais e a pressão sobre inflação e juros no Brasil, o endividamento crescente das famílias brasileiras e o quadro esperado com os resultados das eleições presidenciais. “Estamos vivendo um momento de conflitos simultâneos, que vem pressionando preços e taxas de juros em todo o mundo, além de fragmentações comerciais importantes, com protecionismo crescente, em especial nos Estados Unidos”, destacou. Diante do quadro, a economista disse que existe uma projeção de desaceleração da economia mundial, que deve crescer apenas 3,1% em 2026 e 3,4% no próximo ano. 

No caso da economia brasileira, Patrícia ressaltou que o PIB vem crescendo muito em função do desempenho do agronegócio, diante de uma desaceleração da indústria, provocada pelas dificuldades nas exportações para destinos tradicionais, como Estados Unidos e Argentina, e do comprometimento da renda das famílias. “Atualmente, 30% da renda das famílias está comprometida com dívidas e mais de 51% das pessoas estão negativadas no Serasa”, apontou. Diante do cenário, a economista prevê um crescimento menor no PIB brasileiro em 2026, de 2,3%. Para 2027, a perspectiva é de continuidade na desaceleração do crescimento, com o PIB nacional crescendo menos de 2%. “Também temos o reflexo de um ano eleitoral, o que gerou instabilidade política e econômica, com o descontrole dos gastos e o descompromisso com o quadro fiscal”, acrescentou. Para ela, as “condições técnicas” impedem a queda da taxa de juros no curto prazo, gerando ainda mais pressão sobre o setor produtivo ao longo do próximo ano. 

Calçados
O quadro econômico nacional, inevitavelmente, acaba refletindo no calçado brasileiro e em toda a cadeia produtiva que o sustenta. Com uma queda acumulada de 5,4% na sua produção no ano corrente, Lélis destacou que a indústria calçadista deve registrar um último quadrimestre de 2026 melhor, registrando revés de 2,1% no total do ano. “Para 2027, o cenário é de estabilidade, com uma possível melhora ancorada no mercado internacional”, explicou. “O choque das perdas nos mercados dos Estados Unidos e da Argentina em 2026 fizeram com que a indústria diversificasse seus destinos. Por isso, e com o esperado  retorno gradual desses dois mercados, devemos registrar crescimento de 2,6% nos embarques totais ao longo do próximo ano”, concluiu. 

Inovação como ferramenta
Com olhar voltado para a inovação, Carminatti ressaltou que a indústria calçadista deve “fugir da concorrência no preço”, nas quais os asiáticos são imbatíveis, e voltar seus esforços para o desenvolvimento de produtos com tecnologia embarcada. O criativo reforçou, ainda, a importância do INSPIRAMAIS para adiantar movimentos de tendências em moda e design como uma ferramenta importante de competitividade para o setor. A próxima edição do salão lançará mais de mil materiais nos próximos dias 26 e 27 de janeiro, em Porto Alegre/RS.