25 jun. 2026

Juros altos e endividamento impactam cadeia produtiva do calçado

A reunião do Grupo de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), realizada na manhã do dia 25 de junho, apontou algumas projeções para a cadeia produtiva do calçado no curto prazo. Conduzida pelo doutor em Economia e consultor setorial Marcos Lélis, o encontro aconteceu no formato on-line.

admin
Leitura: 5min

A reunião do Grupo de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), realizada na manhã do dia 25 de junho, apontou algumas projeções para a cadeia produtiva do calçado no curto prazo. Conduzida pelo doutor em Economia e consultor setorial Marcos Lélis, o encontro aconteceu no formato on-line. 

Na primeira parte da exposição, o economista destacou a desvalorização da moeda brasileira sobre o dólar nos últimos dias, quando voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 5. “A moeda deve ficar estabilizada nesse patamar, visto que não existe perspectiva de baixa nos juros dos Estados Unidos em função de uma inflação acumulada que já chega próxima de 5% – a meta do FED é de 2%”, explicou, ressaltando que a alta nos preços nos Estados Unidos têm influência direta das commodities. Atualmente, os juros de longo prazo no país estão em 4,47%. “Antes da pandemia, esse índice chegou a ser de 1,5%”, disse. 

Com o cenário internacional instável, Lélis ressaltou que o PIB mundial deve crescer 3,1% neste ano e 3,2% em 2027, muito abaixo da média dos anos 2000, quando chegou a crescer mais de 4%. Para o Brasil, a expectativa é de um incremento ainda menor, de 1,9% em 2026 e de 2% em 2027. 

“Indústria sofre”
Apesar do crescimento modesto da economia brasileira (de 1,31% no acumulado até abril), segundo o economista, a indústria tem sofrido nos primeiros meses de 2026. “A economia brasileira tem um crescimento puxado pelos setores de serviços e tecnologia da informação. Cerca de 70% dos setores econômicos estão em queda”, pontou. 

No comparativo entre os desempenhos da Indústria de Transformação e a Indústria Calçadista, o especialista destacou uma discrepância. No acumulado de 2026, até abril, a primeira cresceu 0,3%, enquanto a segunda caiu 6,4%, sempre no comparativo com o mesmo período do ano passado.  Conforme Lélis, a discrepância se dá por dois motivos principais: o crescimento da indústria de automóveis, que puxou o índice de crescimento para cima na Indústria da Transformação, e o endividamento crescente das famílias brasileiras, que tem impacto na queda do consumo de bens duráveis de menor monta, caso dos calçados. Conforme pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6%dos brasileiros dizem ter uma percepção de endividamento, um recorde histórico.  Já o comprometimento da renda chegou a 29,26% em março. “E não existe uma perspectiva de melhora, já que não existe sinalização para a queda da taxa de juros no Brasil”, projetou.

O grupo
Coordenado por Lélis, o grupo setorial de Inteligência de Mercado da Assintecal se reúne a cada dois meses para trazer números atualizados e projeções com base no panorama dos mercados nacional e internacional. O encontro é aberto para associados da Assintecal. Mais informações pelo e-mail relacionamento@assintecal.org.br.